Por: Amanda Meneses
Do total de 39 fundos listados em funcionamento até novembro, sete obtiveram desempenho positivo; destes, apenas quatro com retorno acima de dois dígitos, segundo a Quantum.
Diante da queda de preços das commodities, salto de recuperações de judiciais de agricultores brasileiros e crises no setor, como o caso Agrogalaxy, os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) têm passado por um período difícil. No entanto, apesar dos desafios, nem todos os segmentos sofreram do mesmo mal e alguns fundos se sobressaíram, conseguindo retornos positivos em meio à turbulência.
Do total de 39 fundos em funcionamento normal e três em fase pré-operacional, sete obtiveram desempenho positivo. Destes, apenas quatro com retorno acima de dois dígitos, segundo levantamento da Quantum Finance.

No primeiro lugar, o fundo Nex Crédito Agro (NEXG11), gerido pela Nex Gestora e administrado pela Vórtx, Fiagro de pouco mais de um ano que possui alocação preponderante em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), mas criado para se expor também a Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). Todos com lastro vinculado à cadeia produtiva do agronegócio. Segundo a Nex, o retorno do fundo, que conta com 19 ativos, é de 27,87%.
O resultado do fundo da Nex, gestora que nasceu e cresceu com foco no agro, instalada, inclusive, no coração do segmento em Goiânia, se deve a uma estratégia denominada conservadora e de middle yield pelo gestor do Fiagro NEXG11. “A tese foi desenhada em 2022. Em 2023, fizemos a primeira captação e listamos o fundo. Este ano, fizemos a segunda captação e estamos com o produto que já pagou dividendos 11 vezes de forma ininterrupta e crescente. Estamos com uma carteira de investimentos, CRAs e de FIDCs 100% adimplente. Isso não é obra do acaso, porque nossos colegas não estão na mesma situação”, comenta Lincoln Guabajara, gestor do fundo.
Segundo o executivo, a equipe faz uma pré-análise dos papéis de agronegócio, um primeiro filtro, depois passam para uma análise de diligence e compliance e, em paralelo, acontece uma análise de crédito. “Nesse momento [o ativo] passa para um comitê de investimentos em que os diretores precisam aprovar de forma unânime. E isso é metade do trabalho, porque a outra metade se ampara no monitoramento dos ativos”, diz o gestor, citando que a localização da gestora, próxima ao agro, facilita esse trabalho.
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O Fiagro da Nex foi “desenhado para ser conservador”, um fundo pequeno para investidor qualificado com menos de 600 cotistas, segundo Guabajara, citando que preferiram evitar as promessas que fundos que nasceram da bonança de 2021 fizeram, com margens muito altas, excesso de liquidez, prometendo retornos mais altos. “Para isso, precisaram correr mais riscos, riscos mais altos. O que nos propomos a fazer é entregar CDI+2,5% para o investidor. Fomos criticados por isso, porque os nossos colegas estavam prometendo CDI+4.”
A leitura de setor que a casa fez foi que com o CDI+2,5% conseguiria atravessar os ciclos, para o nível de risco que queria tomar, e foi o que aconteceu. A Nex resolveu fazer escolhas de operações de crédito que tivessem mais tração comercial e “pertencimento ao setor”, o que excluía grandes operações, resultando na escolha acertada de não entrar em AgroGalaxy, por exemplo. Outra estratégia foi extrair o maior valor possível da cadeia produtiva em várias culturas, com mais de nove as quais o fundo é exposto, em todas as etapas da cadeia produtiva, exceto ao produtor rural, diretamente, por enquanto.
O investidor do fundo, segundo o gestor, não se qualifica como o público geral, que se assustou com a situação do segmento, o que gerou o retorno positivo do NEXG11. “Esse investidor apostou na gente, ele não tinha interesse em vender, então a cota se valorizou. Conforme a base de investidores se pulverize, isso pode se modificar, mas vemos também um cenário cada vez mais maduro em termos de Fiagro daqui para frente.”
Para Guabajara, muitos Fiagros estão sofrendo com uma penalização de suas cotas em função de uma comunicação ruim que tem levado o investidor a tomar decisões que afetam esses fundos. “O setor tem seus desafios como qualquer outro… sobre a comunicação, acho que está tendo muita recuperação judicial no imobiliário, no varejo, mas só tem se falado do agronegócio.”